Hackers x Crackers: Quem são os mocinhos?
É impossível ficar calado diante de um assunto que está em destaque na mídia atualmente e tem tido grande repercussão na vida de todos, independentes de sexo, cor, religião e/ou profissão.
As “invasões hackers” ganharam grande destaque esse ano na mídia quando um grupo de pessoas espalhadas pelo mundo resolveu se unir e se revoltar contra governos e empresas, usando de seus conhecimentos técnicos avançados em TI para invadir sites e sistemas de grandes empresas, causando-lhes prejuízos como forma de protesto.
A verdade é que essas invasões sempre ocorreram e jamais puderam ser impedidas (e diga-se de passagem, jamais poderão ser impedidas), mas era possível abafar e não divulgar com grande entusiasmo na imprensa mundial. Porém, quando se começou a utilizar desse recurso para derrubar governos e causar grandes estragos financeiros em multinacionais em forma de protesto por atitudes egoístas dessas empresas e, principalmente após alguns governos (leia-se norte-americano) serem desmascarados publicamente com a revelação de conteúdos secretos de e-mails, tornou-se impossível esconder o poder que pessoas com conhecimentos desse nível tem em suas mãos.
O problema é que a imprensa infelizmente não sabe reagir diante de assuntos que não domina e age como aquelas “mulheres destrambelhadas” que, quando se vem numa situação diferente do comum, começam a falar sem parar e tudo o que falam não faz sentido algum para quem ouve, pois simplesmente não tem lógica alguma. Resumindo, se entende nada!
O objetivo desse artigo é esclarecer, pelo ponto de vista de um profissional de TI, para pessoas que direta ou indiretamente usam a tecnologia em seu dia-a-dia, o que está acontecendo e o que é verdade ou não no que falam por aí. Toda vez que leio ou assisto uma reportagem sobre o assunto dizendo que HACKERS invadiram sites de empresas e/ou governos, dá vontade de jogar uma bomba na mesa do infeliz do repórter que escreveu tamanha besteira. Mas eu não sou terrorista, então vamos as definições:
HACKERS: são indivíduos que modificam softwares (programas) e hardwares (peças) de computadores, desenvolvendo novas funcionalidades e/ou adaptando antigas. O termo hacker é muito conhecido no mundo da informática, mas na verdade define qualquer pessoa que seja classificada como extremamente bons naquilo que fazem, independente da profissão. Portanto, se você é um exímio cozinheiro, posso dizer que você é um hacker da culinária; se você é um excelente escritor, você é um hacker da literatura; se você é um mestre de obras especialista em construir grandes edifícios, você é um hacker da construção civil.
A minha indignação com a imprensa existe exatamente por isso. Os profissionais do jornalismo são incapazes de usar a internet para pesquisar o verdadeiro sentido daquilo que estão publicando. São incapazes de procurar por profissionais da área para esclarecer de forma correta o que é o quê e assim ensinar de forma correta seus leitores.
Bom, voltando ao assunto principal, os verdadeiros criminosos da internet são os CRACKERS que também são hackers, ou seja, são exímios especialistas em TI, mas utilizam esse conhecimento para causar prejuízos financeiros à empresas, governos e pessoas em benefício próprio. Portanto, quando se diz que o site do Banco Fulano foi invadido, foram CRACKERS quem fizeram isso, e não HACKERS como geralmente dizem.
Por que é necessário distinguir, se eu mesmo disse acima que crackers também são hackers? Simples e óbvio! Por causa do significado das palavras. Chamar um hacker de criminoso é chamar qualquer profissional especialista de qualquer área de criminoso, além é claro de ofender mais diretamente os profissionais de TI, pois o termo hacker é mais utilizado e conhecido nessa área. Quando um jornalista de grande reconhecimento comete esse engano, ele chama a si próprio de criminoso. Por isso é necessário aprender a acessar fontes seguras de informações sobre o que estão divulgando para seu público leitor.
Para quem não vive no mundo de TI avançado, acha que esse mundo é uma verdadeira bagunça e não tem importância inverter esses termos técnicos. Mas quem pensa assim se engana profundamente. Prova disso é que não existem apenas os termos HACKERS e CRACKERS. Você também pode ser um NEWBIE ou um LAMER ou ainda um PHREAKER.
Em termos gerais, hackers e crackers são duas sociedades ligadas pelo conhecimento e experiência e distintas pelos propósitos:
Hackers: são profissionais especialistas em TI ou em qualquer área que usam seu avançado conhecimento com respeito à sociedade e obedecendo um código de ética estabelecido pelos próprios profissionais de sua área, e também respeitam as leis constitucionais.
Newbies: são pessoas iniciantes ou estudantes de TI ou de qualquer área, que são notáveis por seu grande interesse de obter conhecimento e que podem utilizar o que aprendem com ética ou não. Quando um newbie usa o que aprende com ética e respeito aos demais de sua área e à sociedade em geral, ele poderá ser incluso na sociedade hacker. Já quando deixa de usar a ética, se torna um lammer e passa a ser incluso na sociedade cracker.
Lammers: são pessoas iniciantes ou estudantes de TI ou de qualquer área, que tem as mesmas características de um newbie, mas são extremamente arrogantes e inconvenientes. Os lammers geralmente são ignorados e ridicularizados por toda a sociedade hacker. São raros lammers que são éticos e na maioria das vezes eles praticam crimes para demonstrar e provar seu poder de aprendizado e sua capacidade, porém deixam muitos rastros e são facilmente descobertos. Por isso são classificados como crackers e, até mesmo os crackers experientes ignoram e ridicularizam os lammers.
Crackers: são pessoas ou profissionais experientes da área de TI ou quaisquer áreas que usam seu conhecimento avançado para quebrar regras de segurança e códigos de ética e atuam roubando grandes valores em bancos, invadindo computadores de internautas para roubar informações pessoais, criando vírus (programas maliciosos), invadindo e tirando do ar sites de empresas e governos, sempre em busca de causar prejuízos aos demais e benefícios para si próprios.
Phreakers: são pessoas ou profissionais experientes da área de telefonia que utilizam seus conhecimentos avançados para seu benefício próprio. É um cracker da área de telefonia.
Existem muitas outras terminologias para ambas as sociedades hacker e cracker, mas não é meu objetivo explicar todas aqui. O que quero é deixar claro que é necessário distinguir o básico para evitar o preconceito, valorizar as pessoas e profissionais corretas e punir os que realmente são criminosos.
Existem dúvidas em como classificar os profissionais de segurança digital. Esses profissionais detém muito conhecimento em TI e são capazes tanto de invadir grandes redes de computadores de empresas e governos como de evitar as invasões crackers. Esses profissionais tem o dever de estudar as metodologias crackers e criar novas metodologias de segurança para tornar as ações de crackers falhas.
Muitos desses profissionais invadem redes de computadores de empresas e governos apenas para testar suas criações e metodologias de segurança ou apontar aos mesmos falhas de segurança em suas redes. Esses profissionais, apesar de cometerem crimes quando invadem uma rede sem autorização, não são criminosos e devem ser inclusos na sociedade hacker, pois não causam prejuízos aos demais. Pelo contrário, estudam e implementam meios de impedir que tenhamos prejuízos com ações crackers.
Afinal se eu fosse um profissional de segurança digital e fosse considerado um cracker, faria questão de roubar alguns bilhões e sumiria no mundo, não ficaria aqui escrevendo esse texto que muitos estão considerando um monte de baboseira. Por isso eu repito: é necessário aprender a classificar e distinguir corretamente quem é quem no mundo da tecnologia.
E você, leitor, o que pensa a respeito? Quais as suas dúvidas sobre esse assunto? Deixem seus comentários.
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