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Procura-se Webdesigner’s e Programadores

Sep 11, 2010 by     4 Comments    Posted under: Artigos

Há tempos venho tentando arrumar um tempo para escrever sobre a dificuldade que nós, empresas de desenvolvimento web, temos em encontrar profissionais qualificados para serem contratados. No entanto, nesse período em que pensava em escrever sobre o assunto, encontrei e li vários artigos sobre o mesmo com opiniões diversas, principalmente em seus comentários.

Em um desses blogs encontrados pela net, o foco foi a dificuldade em conseguir encontrar um candidato que se encaixe no perfil procurado, com os conhecimentos necessários, que não minta sobre seu nível de conhecimento e que queira trabalhar, pelo menos no início, ganhando pouco. Claro que a repercução nos comentários foi bastante drástica, tendo gente até mandando o autor para aquele lugar…, mas de modo geral, o pessoal concordou que é difícil formar profissionais fora do ambiente prático de trabalho, principalmente em se tratando de programação e webdesign.

A minha opinião não é muito diferente da de todos, porém devo ressaltar alguns pontos muito importantes que me permitem analisar de um segundo ângulo a situação. Durante alguns anos, há vários anos atrás, dei aula de informática, inclusive de webdesign, mesmo sem nunca ter trabalhado na área.

O que eu precisava na época para dar aula de webdesign era simplesmente entender um pouco photoshop, dreamweaver, fireworks e flash. E a escola em que trabalhava, assim como todas as suas concorrentes, divulgava esse pacote de cursos como sendo de formação técnica-profissional, convencendo aos alunos que sairiam de lá com capacidade total de fazer sites para empresas de forma extremamente profissional.

Hoje, depois de alguns anos de experiência na área, me envergonho de dizer que colaborei na ‘formação’ de algumas dezenas de ‘sobrinhos’ que hoje cobram pouco por trabalhos de baixíssima qualidade, isso quando, muitas vezes, não cobram muito caro, recebem o que cobram e não entregam o prometido. Digo isso porque já foram muitas as vezes que ouvi meu gerente comercial chegar da visita a um novo cliente contando a decepção que este teve com um desses ‘sobrinhos’ da vida.

Bom… voltando ao assunto da formação profissional… infelizmente hoje a situação ainda é a mesma de quando dava aulas. Para se ter uma idéia, esses dias conversei com um ex-colega de trabalho que ainda dá aulas na escola técnica que trabalhei. Fiquei muito surpreso em ver que eles ainda estão ensinando photoshop 7.0 (nós já usamos a versão CS5), Dreamweaver MX, ensinam tabela no lugar de padrões W3C (div, h1, h2,…), não ensinam css, nem php, muito menos banco de dados.

Perguntei esses dias à um ex-aluno do curso básico, que agora está terminando o curso de webdesign, se ele havia visto algo relacionado em como gerenciar um servidor de FTP (enviar arquivos, registrar domínios, essas coisas…). A resposta dele foi clara: “nunca vi isso na minha vida, muito menos no curso”.

É exatamente aí que mora o problema que causa nossa dificuldade em encontrar profissionais com o mínimo de conhecimento.

Outra experiência que posso citar é a minha própria na faculdade. Curso o 3º ano de Sistemas e somente agora que fomos estudar o básico do básico quando o assunto é webdesign. Para se ter uma idéia, a matéria de PPI – Programação Para Internet ensinou uma micharia de html, o básico de javascript, o mínimo possível de css e uma ninharia de php com mysql (esses dois últimos ainda serão mais abordados no próximo bimestre – outubro/2010). Ou seja, se eu não trabalhasse na área há algum tempo, sairia da faculdade sem a mínima condição de enfrentar o mercado de trabalho, pois nem o conhecimento exigido na empresa que trabalho (que por sinal, acho muito pouco) eu teria.

Ao questionar minha coordenação e os professores de Sistemas na faculdade, todos fizeram questão de deixar claro que o curso não tem formação técnica e sim formação mais global ou geral da área de programação, porém sem se focar exatamente em programação.

Ok. Concordo! Realmente o curso não é focado para essa área, mas com certeza poderiam ser criadas, dentro do curso situações em que o aluno vivencie o ambiente de trabalho. Isso poderia ser feito através de incubadoras, de cursos técnicos paralelos ao curso de Sistemas onde se ensine o que é necessário dentro de um ambiente de produção real.

Porém, acho ainda que quem mais deveria trazer essa formação técnica são os cursos de escolas técnicas que são mais focadas. Essas sim deveriam se atualizar constantemente, pagar profissionais qualificados para ensinar o ofício de webdesign ou o ofício de programador.

Portanto, caro leitor, se você está procurando por trabalho, peço que, pelo amor de Deus, procure no google.com.br saber o que é (pelo menos) padrões W3C, estude lógica de programação, aprenda pelo menos HTML e CSS, descubra como fazer o registro de um domínio, como fazer a publicação de um site, como combinar cores. Descubra quais são as regras que utilizamos para desenvolver um site de qualidade, navegável e que realmente seja o cartão de visitas da empresa para seus clientes.

E se você está em dúvida sobre o que fazer para se formar nesta área, deixo alguns conselhos: primeiro, não tenha medo de gastar dinheiro com livros e cursos sobre a área que quer atuar. Dê uma pesquisada no google e aprenda o básico primeiro e depois compre um livro detalhado sobre o assunto ou faça um curso técnico que lhe ensine muito mais. Lembre-se, não confie 100% no que você encontrar na web. Segundo, procure por um curso técnico, mas jamais abra mão da faculdade. Juntar o conhecimento adquirido nos dois é algo que realmente lhe ajudará muito em sua carreira profissional. Terceiro, esteja sempre de mente aberta para aprender mais e mais. Conhecimento nunca será demais. Nossa área é muito dinâmica e é preciso se atualizar constantemente. E se você tiver a oportunidade de trabalhar e estudar na mesma área, não desperdice-a.

Para finalizar, gostaria de deixar meus parabéns à Unimeo e à empresa Webgenium. Esta última abriu suas portas para os alunos do curso de Sistemas de Informação visitassem sua estrutura e conhecessem um pouco do dia-a-dia de quem trabalha nessa área.

Essa iniciativa deve ser reproduzida por todas as instituições de ensino, em busca de proporcionar incentivo entre seus alunos e abrir portas para o egresso recém formado, mas sem experiência.

E você, leitor, o que pensa a respeito desse assunto? Já passou por experiências semelhantes? Concorda ou discorda? Deixe sua opinião!

At+. ;)

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